Tuesday, September 9, 2008

2084


No futuro seremos todos verdes, um verde rã. Não teremos unhas, dentes nem pêlos. Não teremos paciência para esplanadas, onde o vento nos irritará até à morte. O ovo estrelado vai passar a ser objecto de estudo da história da arte.

Monday, August 4, 2008

angustia

Barcelona é o local do acontecimento, num prédio alto e sinistro, é um hotel onde se fazem festas e a vista é bonita, há gente na varanda mais alta do edifício a fumar charros e de coktails finos na mão.
Sou mãe há poucos meses, tenho o meu filho bebé comigo. Estou contigo e mais alguns amigos, familiares também. Chegamos ao dito sítio, queremos vários quartos porque ainda somos alguns. O rapaz que nos atende é simpátco e sem grandes burocracias leva-nos a conhecer os quartos, sim, vamos tal como numa excurssão, o nosso guia leva-nos a conhecer o quarto onde cada um de nós vai ficar. Já fomos a um, a outro e deste passamos ao nosso que tem uma forma peculiar de lá chegar mas nós não reclamamos, temos que subir para ele através de umas escadas agarradas à parede de um dos quartos onde uns dos nossos vão pernoitar. Subimos, é fixe o quarto, já só lá estamos nós, eu tu e o meu bebé. Tiramos fotos e passamos bons momentos, mas combinámos umas horas depois com os outros, o local de encontro é o quarto que tem as escadas que vão dar ao corredor que nos leva ao nosso, é o maior e é lá que vamos fazer a nossa festa. Descemos, estamos já todos juntos, o disco a rodar, o pessoal a rir, a beber e a fumar, passam umas horas, sinto falta de alguma coisa... NÃO!!! Esqueci o bebé lá em cima no quarto, acho que o deixei em cima da cama quando fui lavar os dentes e nunca mis me lembrei dele. Quero subir! Dirijo-me à parede com as escadas, agarro-me a uma e fico com ela na mão, subo a uma cadeira para conseguir à escada seguinte e acontece o mesmo, e com as outras também. Não vou conseguir subir, o rapaz que nos mostrou os quartos diz que há outro caminho mas que para isso precisávamos de saber O Segredo, nós não sabemos e ele não nos conta. O meu bebé vai morrer ou já morreu.

Monday, May 12, 2008

E não é que é verdade!

Sempre me chateava quando ouvia alguns homens dizer que as mulheres se estavam sempre a queixar. Achava uma ideia absurda, um cliché, coisa do passado. Mas não, encaro a realidade e é mesmo verdade. No trabalho é mais que óbvio, há sempre uma dor qualquer como tema de conversa, é a cabeça, a barriga, qualquer mal estar que nem se sabe bem o que é! Merda! As mulheres ficam chatas assim! Vou começar a observar mais e melhor, brindarei ao dia em que não haja nenhuma com dor de cabeça!

Friday, May 2, 2008

primeiro de maio

Há mais de 100 anos estavam os proletários felizes por terem, com as suas reivindicações, conseguido reduzir o horário de trabalho de 16 para 8 horas. É por isso que é feriado.

Hoje, andamos a discutir o novo programa laboral que implica, entre outras coisas um aumento dos horários de trabalho. Sem reivindicar, passamos o feriado felizes a passear ou sentados num miradouro qualquer a beber uma cervejinha. Se este item, do aumento do horário de trabalho para as 10 horas for em frente, continuará a fazer sentido este primeiro de Maio como causa ganha???? Sim, passa a fazer parte da história de um passado distante.

....

Trabalhamos 8 horas, se dormirmos 8, ficamos com outras 8 para viver à séria, mas depois há o caminho de casa para o trabalho e vice-versa, ou seja +/- 2 horas perdidas. Depois, temos que comer, limpar a casa, pagar as contas. Ou seja, as 8 horas de "festa" num dia, facilmente se transformam em metade ou menos. É assim...

...

Este blog faz um ano, apesar das poucas visitas mantém-se vivo ;)

Spiritualized - Soul On Fire

ansiando pelo concerto....

Tuesday, April 15, 2008

Possivel?

O que se passa com os italianos? pergunto eu...

(...)Ontem, quando o que se esperava era o regresso de Berlusconi, não festa.Il Cavalieri nem saiu de Milão. Não falou aos apoiantes, nem aos jornalistas - que o seu PdL tinha reunido em Roma, não no centro, mas no Auditória da Técnica, em Eur, uma zona a sul.
Jornalistas, alguns 400. Responsáveis do partido, muitos. Mas nem um apoiante. E fora a neutralidade dos jornalistas e a camisola óbvia dos políticos, quem por lá estava eram hospedeiras, contratadas para acreditar a imprensa e registar entradas e saídas. Talvez pelo menos alguma delas festeje. Não. Tenta-se uma, outra e ainda outra. São precárias e estão tristes, zangadas, desiludidas.
(...)Foi em directo telefónico que Berlusconi se declarou "comovido com a prova de confiança dada pelos cidadãos"
in Público

Monday, April 14, 2008

a vida da má língua!!!!



Sempre odiei má língua, mesmo!!!
Falar mal dos outros quando há muito mais para fazer é um desperdício.
Quando cheguei ao meu novo trabalho fazia-me muita confusão, saía uma pessoa e lá estavam todos a dizer mal dela.
E agora dou por mim a fazer o mesmo dessa mesma pessoa. O ser humano é assim, fácil! E há pessoas que se põem mesmo a jeito.

Monday, March 31, 2008

A P.D.I.

É difícil dormir e acordar quando se tem insónias. Não nos deixam descansar em paz e às vezes sem razão aparente.
Os anos passam e estou a ficar mais crescida tenho encargos de casa e carro próprio.
Às vezes é dificil perceber que já sou adulta e saber lidar com isso. Os meus 3 cabelos brancos são reflexo de que já não tenho 18 anos mas a merda é que também ainda não tenho 30.
Muitas vezes acordo a pensar que não quero ir trabalhar e em como as relações humanas são difíceis.
A merda é que no fundo ainda tenho "borbulhas" e toda esta "adultísse" é difícil para mim.

É o dia em que regressas à labuta porque tem que ser, também és adulto e tens as tuas obrigações. Eu estou em casa e nunca tenho medo de estar sozinha, porque tenho sempre a escolha de estar acompanhada e quando não quero e/ou não posso estar acompanhada nunca me sinto só - mas hoje sim. É estranho mas sei que hoje não sou boa companhia para mim mesma.

Quase um pombo a menos!!!



Odeio pombos, cheiram mal, cagam tudo e metem nojo.
Ontem ia a conduzir para o trabalho e podia mesmo ter atropelado um deles, estava com problemas nas asas e não conseguia voar como normalmente.
Não o fiz, travei e esperei que ele abandonasse a morte.
Estarei a perder qualidades ou afinal serei só um ser bondoso, até para os pombos?

Saturday, January 19, 2008

'culpadream'



E ali iamos nós, Eu e Ele, já quase noite, num carro vermelho, afastando-nos do local do crime. Já havia passado muito tempo depois do que tinha acontecido, já quase nem nos lembrávamos daquela noite (ou dia). Mas a chuva que caiu forte foi a culpada do regresso deste terrível pesadelo.
Perguntava-lhe se era mesmo verdade, se tinhamos realmente morto e enterrado naquele quintal, aquele homem quase careca e de bigode, do qual não me lembro de mais nada para além da careca e do bigode (ah! Também me lembro que vestia um fato castanho e uma gravata). Ele respondeu-me que sim que era verdade, mas para eu não pensar mais nisso e que ia correr tudo bem que ninguém nos ia apanhar, mas aí olhei para trás e estávamos a ser perseguidos, era a culpa que vinha atrás de nós, pelo menos de mim, que não me lembrava o porquê de termos morto esse homem, que não sei quem é ou era. Insistia e continuava a perguntar-lhe se era mesmo verdade, eu queria ouvir que não, mas Ele respondia-me que sim. Como era possível tudo aquilo, ter morto e enterrado um homem e não me lembrar de nada. Que espécie de gente sou eu, que só sinto culpa e culpa de não sei bem o quê. Mas a fotografia do homem estava no jornal, a notícia de que tinha sido encontrado morto e enterrado naquele quintal corria a imprensa, e sim, eu lembráva-me da cara do homem e a lembrança era angustiante mas não sabia porquê, apesar de Ele me dizer que o tinhamos enterrado já morto.
Acordei.