estou na sala, só sentada à mesa, tic-tac, tic-tac... é o relógio de pêndulo atrás de mim que não pára. tic -tac, tic-tac... cu-cu, cu-cu é o relógio te cuco à minha frente que também não pára, isto não é uma queixa, já estou habituada. levanto-me de repente, vou ao quarto e visto o casaco, pego na chave de casa, que está sempre na cómoda do hall da entrada e saio para a rua porque sei que te vou encontrar, imagino onde possas estar, mesmo sem ter falado contigo nos últimos dias... ou meses. começo a andar, desço a rua, continuo a descer, mas agora outra rua, ao todo desço quatro ruas para chegar à praça, é a partir daí que imagino encontrar-te. olho à volta, as esplanadas são muitas mas tu não estás em nenhuma. entro por uma rua qualquer, daquelas que vão dar à rua direita. já na rua direita, começo a andar na direcção da sé, já não tenho assim tanta certeza de que te vou encontrar, gostava.
já estou quase a chegar à rua do orfeão, o velho, e aí decido virar, continuo a andar, estou quase a chegar às escadas que vão dar às ruinhas antes do castelo e tu estás ali nessa escada, simplesmente sentado, como eu estava em casa. tu e os teus óculos escuros à dylan, como eu gosto de os chamar. sentei-me ao teu lado, tentaste dar-me um beijo mas apesar de ter gostado disso, recusei-to. eu sou estranha, mas tu ainda és mais, tu e eu nunca iamos dar certo, mas eu gosto da tua companhia e lamento que já não a possa ter. já não te vejo há uns 3 anos, ou mais.
