Saturday, January 19, 2008

'culpadream'



E ali iamos nós, Eu e Ele, já quase noite, num carro vermelho, afastando-nos do local do crime. Já havia passado muito tempo depois do que tinha acontecido, já quase nem nos lembrávamos daquela noite (ou dia). Mas a chuva que caiu forte foi a culpada do regresso deste terrível pesadelo.
Perguntava-lhe se era mesmo verdade, se tinhamos realmente morto e enterrado naquele quintal, aquele homem quase careca e de bigode, do qual não me lembro de mais nada para além da careca e do bigode (ah! Também me lembro que vestia um fato castanho e uma gravata). Ele respondeu-me que sim que era verdade, mas para eu não pensar mais nisso e que ia correr tudo bem que ninguém nos ia apanhar, mas aí olhei para trás e estávamos a ser perseguidos, era a culpa que vinha atrás de nós, pelo menos de mim, que não me lembrava o porquê de termos morto esse homem, que não sei quem é ou era. Insistia e continuava a perguntar-lhe se era mesmo verdade, eu queria ouvir que não, mas Ele respondia-me que sim. Como era possível tudo aquilo, ter morto e enterrado um homem e não me lembrar de nada. Que espécie de gente sou eu, que só sinto culpa e culpa de não sei bem o quê. Mas a fotografia do homem estava no jornal, a notícia de que tinha sido encontrado morto e enterrado naquele quintal corria a imprensa, e sim, eu lembráva-me da cara do homem e a lembrança era angustiante mas não sabia porquê, apesar de Ele me dizer que o tinhamos enterrado já morto.
Acordei.